AddThis

 

Vinte vezes a lua prateada
Inteira o rosto seu mostrado havia,
Quando um terrível mal, que então sofria,
Me tornou para sempre desgraçada.

 
De ver o céu e o sol sendo privada,
Cresceu a par comigo a mágoa ímpia;
Desde a infância a mortal melancolia
Se viu em meu semblante debuxada.


Sensível coração deu-me a natura,
E a fortuna, cruel sempre comigo,
Me negou toda a sorte de ventura ;


Nem sequer um prazer breve consigo:
Só para terminar minha amargura
Me aguarda o triste, sepulcral jazigo.

 
Extraído de SONETOS BRASILEIROS Século XVII – XX. Colletanea organisada por Laudelino Freire.  Rio de Janeiro: F. Briguiet & Cie., 1913

Delfina Benigna da Cunha, natural de São José do Norte (17.06.1791 - 13.04.1857), ficou cega aos vinte meses de vida, mesmo assim produziu obra importante. Seu primeiro livro Poesias Oferecidas às Senhoras Rio-grandenses, foi editado em 1843.

 

Creative Commons License
This obra by http://www.rosanycosta.com.br/reconhecidos-esquecidos-e-emergentes/169-soneto.html is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.


AddThis