Eu e eu..eu e Eu
Fragmentos confusos, dispersos, de um eu que se delineia como inteiro que é...
Um eu oblíquo, obumbrado... Que contém, mantem-se e se rebela ao ser contido.
Busco partes incompreendidas, pedaços de vida perdidos em momento de alienação. Entretanto, pelo subconsciente buscados e perfeitamente captados com a lucidez de que existiram. Foi só uma pausa, um lapso. Postergações conscientes e tidas como possíveis.
E a vida acontecia voluntariosa e involuntária as minhas, aparentes, omissões. No intimo a atividade intensa prosseguia, a natureza se fazia, consumando-se mesmo que se contrapondo as minhas pedantes e arraigadas opções. E aguardava.
Este desconhecido ser que assoma e assombra. Ser mutante que se insinua, entretanto, palpável na que me sei e que ora atua. Pulsa, clama por vida!
De onde veio?
Dos limites espraiados do sentir?
Essência. Verdade íntima emergida.
Hoje defronto o resultado e necessito este resgate de emoção, conscientemente.
Apesar da aparente surpresa, diante deste meu eu, não ignoro que a vida cumpria-se a risca. Nada me era de todo alheio neste universo, tampouco eu de mim mesma. Este interregno, era somente meu eu, descontinuado, num esforço quase que hercúleo de preservação. E a vida, isso é incontestável, é um evolutivo e constante movimento. Para quem a vive...
Persisto como todo pretenso onipotente. Preciso, mesmo que tardiamente, entender. Porém, humildemente reconheço, em mim há como que um obelisco à esperança que beira a uma insana resistência a mudanças. Uma crença quase ingênua, que não sei se benfazeja, que se desfeita, parece-me que sucumbirei. Crescer, mudar, as vezes envolve decepções, tentativas de negações, coisas que, mesmo ultrapassadas, seguirão dentro em nós. Não mais junto a nós. Mas até racionalizar esta máxima, faço processo de morte.
Porque resistimos tanto? Raciocinamos e resistimos.
Relegamos o sentir e muitas das vezes por um sentir! Afinal mudar é perder um jeito de ser, um estado de estar. Mas renascer de uma outra maneira não é aprimorar, ganhar?
Então porque resistir, temer?
Quem sabe este tempo era o da natureza, reestruturando forças para que no momento apropriado acontecesse a elucidação?
Ou talvez seja minha maneira de lidar com perdas, mesmo que aparentes. Afinal, o que é mesmo perda?
Quantas vezes perdemo-nos de nós mesmos?
Ou é apenas uma fase confusa em que o Eu está em ajustes?
Ego ou id?
Id e ego?
Aspiro, inspiro e expiro...
Será incoerência? Sou temperamental, controversa e impulsiva.
Fiel a minha essência, mesmo nos momentos confusos, a intensidade me sacode e a honestidade me impulsiona. Por outro lado, reconheço que as vezes precisamos de tempo para sincronizar, equacionar possibilidades. Quereres, vontades, probabilidades, disponibilidades, realidades...
Esta teimosia, esta lealdade a crenças, estas vontades ideárias, indomáveis, libertárias, são minha ousadia e minha covardia!
E esta que me vejo e me sinto já existia, foi por mim relegada . Tola, não a permiti... Não eram mudanças internas. Era de rumo que meu fidelíssimo eu mudava. Me priorizava.
Eu e eu... eu e Eu...

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