To cansada do depois, do um dia...
E decerto devo fazer vista grossa e manter a disposição... e ler. Emprestar minha voz, entregar minha emoção e fingir.
É. Fingir! Fingir que não me incomoda o cochilo expresso de um. A maledicência de outra que, pra manter a atenção do seu par, dispara sarcasmos em meio a sala, feito balas perdidas. As conversas desconexas, aleatórias, privadas... Opa! Privadas em público?
E a aparente apatia com relação à poesia. Os elogios disparados antecipada e mecanicamente por alguns. Realmente escutaram? Chegaram compreender, a sentir o texto?
To cansada de deixar passar. Fazer de conta que está tudo bem, que é assim mesmo. Que mudanças ocorrem e que eu devo me adaptar.
Tudo bem. Minha amiga pode ter razão. A maioria nunca tentou, ou ousou, ler uma poesia em sala, segundo ela. Mas não são analfabetos, devem ter lido a plaquinha ao entrar...
As conversas? Ainda segundo a minha amiga, algumas delas, gente nova... Outras, erro de tela...
Por outro angulo, estarei eu criando caso? Não sei. Pode até ser. Nem todo dia estamos bem. E eu não difiro.
Tento imaginar um sarau. É. Daqueles antigos, onde as pessoas recitavam, executavam musicas, cantavam...
Nos atuais, ainda faz-se silencio, acompanha-se atentamente, até para que ao final da apresentação aconteça a manifestação, que varia de acordo com o gosto dos presentes que, se lá estão é porque gostam! As conversas, os comentários, são feitos a baixo tom, cochichados... Quando o são. O lema é prestar atenção.
Sou criativa, isso sei. Mas, estarei devaneando? Sonho demais?
Certos comportamentos, a mim, são desrespeito para com a poesia, seus autores e seus recitadores.
E se não fora nada disso, acaso não seria, no mínimo, falta de educação tal descaso?
E que venham outros... Quem sabe encontrem melhores condições.
Eu cansei.
(Plenytude)
©2009

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