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Eu queria que um dia, só por um maldito dia, você tivesse sangue em suas veias! Deixasse de lado esse manual de condutas, que possuiu desde sempre, à tua alma covarde. Esse manual a que te agarras com desespero, num fanatismo imoral e louco. E atrás desse manual, (tua prisão), geme uma alma livre, a tua alma, a verdadeira, alma de águia, que anseia por alçar vôo. Mas te vês tão pequena, tão não merecedora da vida, que aceitas para ti essa insanidade... Falsa princesa!... Sim, hoje pela primeira vez te afrontarei... Jogarei todas as verdades na tua cara sonsa, esse rosto alienado, pamonha, esse meio-sorriso delicado, que não consegue ocultar tua miséria! Falsa princesa, que permite que sua existência escoe como areia nas mãos, para ganhar o que, meu Deus...? Um castelo? Um rei que “te protege” da tua própria incompetência em assumir sua vida...? Um rei a que te entregas compungida, enojada, dele e de ti mesma, nessa entrega farsesca...? Será que vales tão pouco assim aos teus próprios olhos...? Ah!... Quem me dera que em vez dessa água rala, insossa e covarde, tivesses ao menos, um pouco de sangue em tuas veias... Talvez descobrisses, que há castelos que se assemelham a masmorras, há princesas que se assemelham a escravas... Eu queria tanto, que por apenas um dia, um só bendito dia, experimentasses o que é ter sangue nas veias... E um tantinho de coragem... de ser feliz... minha princesa...

 


©2010
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